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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

HIDROCEFALIA

O sistema nervoso central é envolvido por três membranas conjuntivas, que desempenham uma importante função de protecção: a duramáter (a mais superficial), a aracnóide e a piamáter. No espaço subaracnoideu (entre a aracnóide e a piamáter), existe um fluido aquoso e incolor - o líquido cefalo-raquidiano (LCR) ou líquor. Este líquido constitui um importante mecanismo de amortecimento contra choques e torna mais leve o crânio, reduzindo o risco de traumatismos encefálicos.

Em condições normais, este líquido circula lentamente entre as várias cavidades do encéfalo (ventrículos cerebrais) e o espaço subaracnoideu, sendo reabsorvido pelo sangue e completamente renovado a cada oito horas.

No entanto, existem processos patológicos que interferem na produção, circulação e absorção do líquido cefalo-raquidiano, causando uma patologia denominada Hidrocefalia.

As hidrocefalias caracterizam-se por um aumento da quantidade e da pressão do líquor, o que provoca uma dilatação dos ventrículos cerebrais e consequente compressão do tecido nervoso.

A hidrocefalia pode ser congénita, se está presente desde o nascimento, resultando de factores genéticos ou infecções durante a gestação, embora possam passar anos até que seja diagnosticada; ou pode ser adquirida, resultando de traumatismos cranianos ou infecções na vida pós-natal, como as meningites.

Quando ocorre durante a vida fetal (devido a anomalias congénitas), e porque os ossos do crânio não estão ainda completamente solidificados, a dilatação dos ventrículos provoca a dilatação do crânio da criança, facto que geralmente dificulta o parto. O crescimento rápido da cabeça nas crianças é, na verdade, uma das principais manifestações clínicas que deve ser detectada pelo médico. Além disso, este pode ainda verificar a fontanela anterior (vulgarmente conhecida como "moleirinha") dilatada, ataques epiléticos e um atraso no desenvolvimento físico e mental da criança.

Numa idade mais tardia, os sintomas mais comuns são dores de cabeça, vómitos, letargia, dificuldades para caminhar, perda das habilidades físicas, mudança de personalidade, diminuição da capacidade mental.

 

Podem distinguir-se dois tipos de hidrocefalias: as comunicantes e as não-comunicantes.

As hidrocefalias comunicantes caracterizam-se por um aumento da produção de líquido cefalo-raquidiano ou uma deficiência na reabsorção do mesmo. As hidrocefalias não-comunicantes têm este nome pois resultam de uma obstrução no trajecto do líquor, que deixa assim de fazer a comunicação entre os vários espaços cerebrais. Este último tipo é o mais frequente.

O diagnóstico pode ser realizado durante a vida fetal através de um ultrassonografia (rastreio pré-natal) e na vida pós-natal através de uma tomografia computorizada (TC) ou de uma ressonância magnética. O diagnóstico precoce melhora consideravelmente o prognóstico desta patologia, particularmente no que toca os problemas mentais.

O tratamento das hidrocefalias é cirúrgico e, geralmente, passa pela drenagem contínua do líquido cefalo-raquidiano através de um catéter, ligando um dos ventrículos cerebrais à veia jugular interna, à aurícula direita (coração) ou à cavidade peritoneal (ao nível abdominal).

publicado por Dreamfinder às 08:43

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